TV está perdendo monopólio do conteúdo, diz diretor da Globo

Luiz Gleiser durante apresentação no Fórum Brasil, ontem, em São  Paulo (Foto: Divulgação)

Em debate ontem no Fórum Brasil, evento em São Paulo dedicado à programação de televisão, o diretor de núcleo da TV Globo Luiz Gleiser falou sobre a queda de audiência de TV aberta.

“A gente já sabe há algum tempo que a TV aberta está mudando de natureza, está perdendo o monopólio do conteúdo”, afirmou, referindo-se às novas plataformas de distribuição (web, por exemplo) e “devices” (aparelhos) para consumo de audiovisual, como PCs, laptops e celulares.

Segundo Gleiser, a queda na audiência da TV aberta que se verifica hoje “demorou 15 anos para acontecer” (em relação aos Estados Unidos). Mas ele lembrou que a TV aberta continua absoluta, a primeira mídia de vários projetos de transmídia. E que os 45 pontos registrados pela Globo no primeiro jogo da seleção brasileira na Copa de 2010 (21 a menos do que a estreia do Brasil em 2006) ainda é muita audiência.

O diretor falou no painel “Here, There and Everywhere”, sobre transmídia e a presença de conteúdos audiovisuais “em todo lugar” _até em elevadores.

Também presente ao painel, Pedro Rolla, diretor de mídia do portal Terra, afirmou que o consumo de mídia, por causa das múltiplas plataformas hoje existentes, está crescendo.

O painel foi aberto por Marcelo Gluz, gerente de novas mídias da Globosat. Ele fez uma apresentação sobre transmídia. Citando o estudioso de mídia Henry Jenkins, Gluz definiu “transmídia como uma história que se desdobra em diferentes plataformas, em que cada uma delas agrega um valor, sendo que cada um desses canais pode ser consumido per si ou no todo”.

“O que cresce de forma abissal é o consumo simultâneo de TV e internet. As pessoas hoje vêem televisão enquanto ficam no Twitter. Isso melhora a percepção do usuário sobre a televisão”, disse Gluz.

Gleizer concordou: “A simultaneidade é cada vez mais crescente”. Segundo ele, todo novo programa na Globo hoje “tem que pensar em multiplataforma e em transmídia”.

O diretor mostrou como exemplos de transmídia na Globo as cenas extras e extendidas da novela Passione, disponíveis no site da novela. Ao final de determinada cena, o ator grava um monólogo, em que seu personagem comenta sobre o que está acontecendo na trama, como está se sentindo e como deve reagir.

Gleizer mostrou também um websódio de Malhação, que mistura linguagem de quadrinhos com imagens captadas com câmeras de celular.

Responsável pela implantação de Big Brother Brasil na Globo, em 2001, Gleizer falou que o reality show foi fundamental para a emissora. Primeiro, porque mostrou que era possível estar em outras plataformas (rádio, TV paga, web) sem canibalizar a principal (TV aberta). Segundo, por mostrar que R$ 0,02 de receita por ligação gerada não é uma “mixaria”, quando mutiplicados por milhões de telefonemas.

Por Daniel Castro

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